Mostrar mensagens com a etiqueta bicicleta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta bicicleta. Mostrar todas as mensagens

2 de julho de 2008

Revopower - a revolução da roda


E se lhe dissessem que alguém reinventou a roda? Quer dizer, não propriamente reinventá-a, mas dotá-la de um mecanismo em que a força seja gerada a partir da própria e roda e não através de um mecanismo externo? É adaptável à maioria das bicicletas. O melhor é ver por si mesmo, chama-se Revopower e será lançada ainda este ano nos Estados Unidos.

8 de abril de 2008

Ecovia do Litoral


Olho para um artigo meu publicado no Observatório do Algarve em 01 de Junho de 2006 e vejo que passados quase dois anos, a ecovia evoluiu um pouco. Todavia, se por um lado há já troços abertos ao público, alguns, outros, há que se encontram degradados mesmo antes de serem inaugurados. Todavia, não retiraria uma vírgula ao que escrevi, salvo em relação ao concelho e à cidade de Albufeira, onde vem sendo feito um esforço de implantação de ciclovias. E pergunto-me, quanto teria custado olhar-se para esta realidade de forma mais séria? Quanto teria custado a cada Câmara promover o alargamento de alguns passeios e o ordenamento urbano de cada cidade e vila a partir de determinada altura (já não falo do reordenamento ou de requalificação) nas zonas novas? Quanto se teria poupado, agora e no futuro? Apenas quanto?...

Há dias passava pelo troço da ecovia entre a Quinta do Lago e a Fonte Santa, em Quarteira. A ecovia ali resume-se a um conjunto de ícones de bicicletas pintados perto da berma de uma estrada em péssimas condições. Faz aflição olhar para o que se vem fazendo de um projecto que podia ser sério, se as pessoas que o tomaram em mãos o tivessem minimamente sido. Nesse troço, faz impressão ver como se pintam as tais biclas no chão como que a indicar a ecovia é aqui e se deixa um passeio com dimensão mais do que suficiente em total abandono onde podia ser construída uma via ciclável, confortável e segura por uma quantia pouco mais que módica. Faz vergonha sentir que quem teve coragem de dirigir uma "obra" destas não se tenha lembrado do assunto e consiga lá passar sem sentir vergonha do que fez ou, pior ainda, que um dia tenha coragem de assumir que dirigiu semelhante obra ou que esteve ligado a ela. Pior, que tenha a obscena indignidade de a ir inaugurar.

Sem dúvida, tem de ser dito, há troços exemplares (o atravessamento de Albufeira, uma parte do percurso em Vilamoura, certos troços perto de Tavira, junto à Ria Formosa, por exemplo) e esses serão de enaltecer. Mas custa ver como nuns concelhos houve tanto cuidado e noutros uma total falta deste, para não dizer pior.

Todavia, algum esforço tem sido feito e esse é digno de realçar, assim se consiga prolongar ao interior das cidades e vilas atravessadas, ligando-as à via férrea, ou articulando a bicicleta com o autocarro. Para já, recomenda-se uma visita à página da ecovia, recentemente actualizada e com muito melhor aspecto e mais informação.
.
PS: Já depois de escrito o artigo acima, reparo que a suposta parte nova de ciclovia em Vilamoura marginal à Av. Vilamoura XXI, afinal, será em calçada e empedrado. É aflitivo assistir a tanta asneira, sobretudo quando já se provou que se conseguem fazer intervenções certas. A intervenção certa aqui seria a utilização de cimento ou camada betuminosa de cor.

19 de março de 2008

A.N.T. (Alternative Needs Transportation)

A.N.T. Boston Roadster


A montagem de bicicletas, a despeito de ser uma actividade industrial, não deixa de ter uma componente artesanal e permitir uma larga faixa de personalização depois da aquisição do produto. Há contudo fabricantes que se predispõem a personalizar as montadas que fabricam ao gosto do cliente, adoptando situações que há uns anos eram comuns, mas que hoje se revelam verdadeiras relíquias no mercado, porque se tornaram raras as técnicas e as características empregues. Por vezes, a dificuldade consiste em adaptar as novas peças e materiais a um design clássico. Uma das marcas mais emblemáticas é o caso da A.N.T. (Alternative Needs Transportation), uma pequena empresa americana com sede Holliston, Massachussets, dirigida por Mike Flanigan. As bicicletas, inteiramente fabricadas à mão, são verdadeiras preciosidades. Sugere-se e recomenda-se uma visita ao site da marca, para ver os diversos modelos da gama, como a fantástica Boston Roadster reproduzida acima.

Long tail bikes y un perrito


14 de março de 2008


Aqui, quase terminada, a construção de um protótipo inspirado nos modelos dos serviços postais franceses dos anos 40, aproveitando o quadro de uma velha (quem não se lembra delas?) Yé-Yé. Razões para a demora? Encontrar o cubo de roda adequado e os Schwalbe com bandas reflectoras brancas (porque em Portugal não os há como pele de cobra).
.
Entretanto, bom fim de semana, boas pedaladas.


25 de fevereiro de 2008

Energia e Equidade


O socialismo pode chegar apenas de bicicleta? A frase - "El socialismo puede llegar solo en bicicleta" -, não uma pergunta, foi proferida por José Antonio Viera-Gallo, secretário de estado da justiça no governo de Salvador Allende. À distância de 35 anos, vale a pena perguntarmo-nos se mantém actualidade ou interesse discutir o tema, que fez parte de um extenso artigo publicado por Ivan Illich no Le Monde, em 1973.
Neste momento é importante fazer um ponto de ordem sob a forma de um parentesis: não sou um socialista nem defendo o socialismo com unhas e dentes. Aliás, na última década creio que abandonei essa dicotomia redutora e simplista, globalização oblige, e não consigo falar já exclusivamente numa natureza socialista ou social-democráta, posto que não nutro nenhum tipo de afeição pelos outros extremos. E assim, também me parece que a simples separação entre direita e a esquerda é demasiado redutora para uma análise eficaz do espectro social e político da sociedade moderna. Fim de parentesis. Adiante.

No Expresso de 16 de Fevereiro, Miguel Sousa Tavares assinalava na sua crónica semanal, a propósito de declarações recentes de Manuel Alegre sobre o caminho feito pelo socialismo em Portugal, que não era preciso fazer-se nenhuma reflexão especial acerca do assunto porquanto está tudo inventado. O socialismo de sucesso chama-se social-democracia, foi inventado há 50 anos na Escandinávia e aplicado com sucesso em vários países do Norte da Europa.
E que tem isto que ver com o título deste artigo? Tudo e simultaneamente nada. Mas vamos por partes.

A primeira questão que temos de abordar é a de sabermos se existe, actualmente, uma crise energética. Isto é, se existe excesso/abundância de energia no mundo, ou se esta é escassa. E depois, como é feito o acesso à energia disponível, designadamente como é esta distribuída pelas pessoas que dela carecem. E finalmente, se para além das pessoas, existe uma prevalência de sectores no acesso à energia em detrimento de outros. A organização destes factores é, afinal, a definição da política energética de cada estado, que se há de enquadrar num contexto global. Por vezes teremos discrepâncias evidentes em estados fronteiros, sendo que isso não é indiferente ao bem-estar das populações que neles vivem. Um exemplo: a superabundância norte-americana em contraste com a escassez mexicana no acesso à energia.

Quando se fala em crise de energia, não se trata de saber se existe muita ou pouca energia disponível. Em princípio, para satisfação das nossas necessidades básicas, a mera força humana será suficiente para a produção da energia necessária. O problema coloca-se quando criamos uma sociedade ávida de recursos energéticos, onde forçosamente a tecnocracia produtora/reprodutora e consumidora de energia acaba por dominar a sociedade e o panorama humano, cerceando a liberdade individual e a convivẽncia multicultural. Porquê? Porque a uniformização do padrão "high energy", em que o bem-estar se avaliza e avalia pela capacidade de acesso à energia deixa pouco espaço para o indivíduo poder viver em liberdade ou tecer sistemas saudáveis de relacionamento social. Veja-se, como exemplo, o consumismo desenfreado, o isolacionismo do transporte motorizado individual, da tecnocracia construtora de uma cultura amarrada pelo transporte motorizado individual, onde a circulação está condicionada pelo automóvel. Os próprios locais de convívio, em regra fechados e dotados de elevadas necessidades de consumo energético tecem o ritmo "fashion" do convívio ("convício"?) social. E diga-se, isto nada tem que ver com uma visão política da sociedade. A cultura social "high energy" tanto pode vigorar em sistemas capitalistas, como socialistas, assim como o seu contrário.

O que nos leva à segunda questão, a do acesso à energia. Numa sociedade "low energy", existem menos diferenças, dado que a diferença de consumo traduz-se igualmente na construção de uma desigualdade entre os membros de uma comunidade. Obviamente, o consumo energético é importante e contribui de forma exponencial para o desenvolvimento e progresso social, mas a partir de determinado nível torna-se no grande - enorme - motor da sociedade e então há uma quebra (democrática?) na racionalidade do seu uso, sobretudo se o consumo de energia significa motorização individual, afinal a principal fonte de desperdício. Curiosamente, quanto maior a necessidade de energia neste capítulo, menor controlo se consegue obter sobre a racionalização do seu uso, dado que temos uma multiplicação de consumidores que, dada a sua escassa dimensão e capacidade negocial, são facilmente manipuláveis pelos grandes interesses das corporações produtoras de motores e combustíveis. Assim, será justo dizer que nos países em vias de desenvolvimento existe toda uma panóplia de escolhas por fazer, o que não quer necessariamente dizer que as mais correctas venham a ser feitas, nem que os membros da sociedade sejam mais livres. Sê-lo-ão em determinada medida, mas não em progresso social ou em desenvolvimento, sendo no entanto possível a partir do momento em que fizerem opções por uma via ou por outra. E é este segundo aspecto que verdadeiramente adquire importância quando falamos de equidade. Têm de ser estabelecidos limites mínimos para uma vivência digna, assim como padrões máximos de consumo e racionalização deste. Está já calculada a dimensão da pegada ecológica aceitável de cada pessoa, será portanto fácil avançar-se com a definição de uma política energética assente em energia abundante, limpa e eficiente. Aquilo que foram as conclusõe da cimeira da Bali (aqui acompanhadas em Dezembro) são, no fundo, a concretização teórica do que acabamos de referir. E nada disto é novo, dado que Ivan Illich referiu precisamente o mesmo há mais de 30 anos. Uma comparação fácil de fazer, neste capítulo, estabelece-se com o tipo de alimentação rica em calorias que uma pessoa obesa fará. A partir de determinado nível, o excesso calórico torna-se prejudicial e deixa de ser um factor benéfico para se tornar num factor de atraso (até de mobilidade). Com a energia ocorrerá o mesmo, a multiplicação consumista e motorista atravanca o progresso a partir de determinado nível, torna-se seu inimigo e, no limite condiciona a liberdade individual. É isto que sucede já na nossa sociedade, na qual pessoas viajam diariamente 3 a 4 horas até aos seus empregos, de onde regressam ao final do dia. Mais, fazem-no gastando uma parte importante do seu rendimento (e consequentemente dessa quota-parte de energia a que têm acesso) nessas deslocações diárias.

Eis-nos chegados ao terceiro ponto a debate. Actualmente, numa sociedade moderna, existem três ordens de factores para consumo da energia disponível produzida: o dispêndio em habitação, em produção industrial e em transportes. Cada sociedade distribuirá a sua energia de acordo com uma visão que tenha do bem-estar colectivo. Ao nível da habitação e da indústria terá de haver sempre um esforço para minorar ou optimizar o nível de consumo energético, tentando-se que a energia seja progressivamente mais "limpa". Não assim ao nível dos transportes. Estas têm uma prevalência excessiva sobre os outros dois factores de consumo, agravado ainda mais pelo uso de combustíveis fósseis em demasia. Hoje, existe um incompreensível antagonismo entre o transporte individual motorizado e o transporte colectivo, sendo que o primeiro continua a ser determinante na organização das nossas cidades. O aparente bem-estar (?) individual proporcionado pelo transporte individual vai avolumando o peso da factura a pagar pela sociedade humana. Apenas um pequeno número de pessoas dele beneficia, mas com que custo para as demais. O custo (e não falamos apenas de preço por litro) da utilização desta energia é elevadíssimo quando pesamos factores como a poluição, a emissão de gases de efeito de estufa, o espaço ocupado nas ruas, o stress acumulado, as doenças respiratórias e cardio-vasculares evitáveis, o tempo de aprisionamento em filas e a procuras de espaços de estacionamento, etc. Evidentemente, postas as coisas desta forma, dir-se-á que a regra nas nossas sociedades consiste ainda no privilégio do transporte individual e a excepção é precisamente o uso do transporte público, o que agrava as desigualdades sociais. Porque é disso que se trata. Um exemplo: porque motivo o habitante de uma terra distante da capital, que se desloca diariamente de bicicleta, ou a pé para o seu local de trabalho, tem de contribuir com os seus impostos para o pagamento de taxas de emissão de gases com efeitos de estufa para a atmosfera, quando não tira rigorosamente nenhum partido das filas de trânsito que pululam numa grande cidade em hora de ponta? Já não falamos aqui de solidariedade social, evidentemente. Até porque esta funcionaria precisamente ao contrário e a pessoa teria direito a ser indemnizada por ser "low-energy". Como resolver, assim, esta problema? Forçamos o indivíduo não-motorizado a adoptar motorização? Damos-lhe uma quota de poluição de que não necessita? Privilegiamos o seu rendimento? Deduzimos os seus impostos? A questão não é, evidentemente, fácil de ser resolvida. Mas envolve um raciocínio que importa debater a curtíssimo prazo, porquanto acarreta uma inevitável desigualdade e injustiça social que se prende com o gasto de recurso importantes num sector que beneficia poucos em detrimento do bem-estar de muitos. Donde, para concluir, o acesso à energia está relativamente democratizado, mas não o uso que desta se faz. Num contexto de justiça social, o acesso à energia é um factor desequilibrante e sê-lo-á tanto mais quanto mais privilegiar o transporte motorizado individual.

Energia e equidade andam, pois, de mãos dadas numa sociedade moderna, devendo constituir um dos principais factores de preocupação das sociedades desenvolvidas, subdesenvolvidas ou em vias de desenvolvimento. Porque é muito mais fácil planear a partir de uma folha em branco, que corrigir erros que arreigadamente foram sendo cometidos ao longo de décadas assentes no errado pressuposto que a motorização individual constituía um factor de liberdade do indivíduo. Sabemo-lo hoje, nada de mais errado.

Voltando ao início deste texto. O socialismo pode chegar de bicicleta, provavelmente não apenas de bicicleta, mas esta constitui um importante factor de correcção de assimetrias sociais e até de incremento de justiça social. São duas rodas, propulsionadas por uma pessoa, que dispende apenas a energia necessária à sua deslocação, sem causar qualquer impacto em terceiros. As infra-estruturas de que carece têm baixo impacto e libertam espaço individual e recursos para a satisfação de outras necessidades colectivamente mais relevantes que a deslocação individual, a despeito da sua importância. Os países do norte da Europa são o exemplo mais perfeito da convivência salutar da bicicleta com o transporte colectivo e a motorização individual. Aliás, apenas isso justifica o investimento em requalificação e adaptação urbana que cidades como Londres, Helsínquia, Estocolmo, Berlim, Colónia e Paris, para só citar algumas das maiores, estão a fazer. O socialismo ali já chegou há muito tempo. Infelizmente, nem Manuel Alegre nem muitos dos governantes deste país perceberam muito bem o que é que isso significa.

7 de fevereiro de 2008

A flor do Inverno


É ao olharmos para a amendoeira,
este ano requintada e deliciosamente florida
e depois para a figueira desnuda
incarnando perfeitamente o espírito da estação,
que somos levados a pensar
que não é o mesmo Inverno que as envolve.

E no entanto,
sabemos que à flor da amendoeira
sucederá a flor da figueira,
esta crescendo a seu tempo,

segura e com o viço,
resguardada pela grossa folha caduca

O Verão chega sempre

e uma e outra, no tempo da boa-nova,
darão o fruto apetecido, que em Outubro,
maduro se casará à boa mesa,
em família,
seco, torrado
ou adocicado à sobremesa.


E então, no ciclo ininterrupto das estações,
será novamente Inverno,
tempo de aparelhar os cestos na bicicleta
e ir à lenha
perto do campo das bétulas,
mesmo ao lado das colmeias,

mergulhadas no cheiro da terra
humedecida pelo orvalho da noite.

29 de janeiro de 2008

73 minutos em Amsterdão

Nieuw Markt, Amsterdão

A internet está cheia de páginas acerca de Amsterdão e das suas ruas repletas de bicicletas, de artigos, comentários e suspiros acerca do modelo que a Veneza do Norte é ou deveria ser para qualquer cidade que deseje implementar vias cicláveis. Brian é um americano que em 12 de Setembro de 2006 passou acidentalmente por Amsterdão durante um périplo pela Europa. Nesta cidade, Brian sentou-se numa esplanada na praça Nieuw Markt a tomar um café e reparou quão diferentes são as bicicletas e as pessoas que as utilizam. Assim, durante os 73 minutos que demorou a tomar um café, Brian tirou 82 fotografias das distintas "Amsterdam Bicycle Trends" (para manter a expressão original do autor). O resultado é este. O engraçado é que grande parte da essência de Amsterdão está captada na sequência de fotos.

25 de novembro de 2007

Bicycle Lifestyle II

Acordar de manhã cedo, ir com as crianças ao parque, passar pelo café, comprar o jornal, uma revista para os mais novos, passar pela mercearia favorita, fazer as compras do dia, parar no talho onde a nossa mãe se abastecia regularmente, sentir que o estacionamento é uma mera formalidade. Devagar, divagar pela cidade, pela promenade à procura do pão ideal, a dois, três, quatro, cinco ou a seis, com uma ou duas bicicletas que ficarão a fazer parte da mobília da família na chegada a casa. Amanhã levarão as crianças à escola e o pai ou pais ao trabalho. Sim, pode ser bicycle lifestyle, ou apenas uma família comum que dispensa os incómodos do automóvel, quando e onde este possa ser dispensado, sem fundamentalismos. Faz-se com qualquer bicicleta, mas a Yuba e a Xtracycle levam vantagem na capacidade de carga, na versatilidade e no preço.

18 de novembro de 2007

Bicycle Lifestyle

No seio de uma vida moderna e por vezes tão sedentária como a nossa é, vem crescendo um movimento de adeptos do uso da bicicleta que pugna pelo seu uso diário - bicycle lifestylers. O objectivo dos bicycle lifestylers não é impor o uso da bicicleta a todas as pessoas, mas tão somente demonstrar que é possível utilizar mais a bicicleta em detrimento do automóvel, tão padronizado e massificado na nossa cultura. Trata-se de reivindicar e colaborar na criação de condições para o uso da bicicleta, designadamente através da instalação de sinalética, intermodalidade de transportes e infra-estruturas menos dispendiosas que aquelas que são necessárias para o automóvel. Trata-se de reivindicar para a bicicleta e para os peões áreas nobres da cidade que o uso do automóvel tornou em autênticas ilhas urbanas descaracterizadas. Trata-se ainda, de com evidente respeito pelos automobilistas, demonstrar que a coabitação entre o automóvel e a bicicleta é possível e deve ser promovida sem radicalismos. Finalmente, um lifestyler procurará demonstrar que o uso da bicicleta é possível no dia a dia, com vantagens para o seu utilizador. Não esquecer contudo que provavelmente apenas cerca de 10% das pessoas em Portugal ponderaria utilizar a bicicleta no dia a dia e, dessas, talvez outros 10% as utilizassem verdadeiramente se existissem infra-estruturas rudimentares. O que, para um país como Portugal, já seria uma vitória para os utilizadores e para os automobilistas, uma vez que cada bicicleta na rua é menos um automóvel em circulação.

10 de novembro de 2007

Brompton Portugal

Em matéria de cicloturismo e para os commuters, há uma marca de bicicletas incontornável no mercado mundial, as dobráveis da Brompton. Estas acabam de chegar a Portugal, através da Corrente Paralela. São bicicletas extremamente perfomantes, de reduzido peso e elevada fiabilidade. Caracterizam-se ainda pelo seu engenhoso sistema de dobragem e pela versatilidade para o uso diário. Nas cidades, quem tenha de se deslocar utilizando o autocarro, metro ou comboio, são um excelente complemento na medida em que podem ser transportadas como bagagem de mão. A não perder, vale a pena a visita à loja ou à página da empresa. Já os temos nos nossos favoritos. Estiveram em Santarém, amizade instantânea, um enorme prazer encontrar pessoas assim (sem desprimor para os demais vizinhos de salão).

7 de novembro de 2007

Universidade do Minho dá bicicletas aos alunos

O equipamento é pessoal e intransmissível e ao fim de três anos o utilizador poderá exercer a opção de compra do veículo por uma quantia simbólica
Duas mil bicicletas vão ser distribuídas, gratuitamente, a estudantes da Universidade do Minho (UM). A iniciativa é dos serviços de acção social da própria universidade, em cooperação com uma empresa de Aveiro, a Ideia Biba, que criou a Bute (Bicicleta de Utilização Estudantil).
A Bute é uma bicicleta do tipo citadino, equipada com um cesto para facilitar o transporte de livros ou computadores, descreve Carlos Silva, administrador dos serviços de acção social da UM. O equipamento é "pessoal e intransmissível" e será entregue por um período de três anos, findo o qual os utilizadores poderão optar pela aquisição da bicicleta, mediante o pagamento de uma quantia simbólica que rondará os 25 euros, esclarece o mesmo responsável. Funcionários e docentes também poderão candidatar-se ao equipamento, que será entregue por fases.O objectivo do projecto é "promover o ambiente, o desporto e a vida saudável". "Queremos influenciar as pessoas a deixarem o carro em casa", sublinha Carlos Silva. Os interessados terão de preencher um formulário de adesão, que serve como boletim de candidatura e de identificação do equipamento e do seu titular. As primeiras 200 bicicletas vão ser atribuídas em Novembro, "com prioridade para os estudantes bolseiros colocados nas residências universitárias", refere a mesma fonte acrescentando que projecto vai alargar-se gradualmente a toda a academia, sendo a intenção da UM distribuir 200 bicicletas por mês até Julho de 2008. Além disso, serão criadas 50 estações de parqueamento nos dois campi da academia, em Braga e em Guimarães.Na base desta iniciativa, que vai ser apresentada publicamente na próxima quarta-feira, está "um novo conceito de mobilidade urbana", financiado a partir de receitas publicitárias provenientes de um conceito pouco divulgado em Portugal, o advertising in motion, que passa pela inclusão de uma imagem ou de um produto promocional nas bicicletas.Além do equipamento gratuito, os utilizadores vão contar com "assistência e manutenção gratuita" que estará disponível em oficinas próprias. Embora se trate de um projecto dirigido à comunidade universitária, o Bicicletas de Utilização Estudantil (Bute) vai desenvolver-se em cooperação com outras iniciativas de mobilidade de cariz municipal, como o aproveitamento de ciclovias e a promoção de meios de transporte ecológicos. Segundo Carlos Silva, responsável pelo projecto Bute, os equipamentos começarão a circular primeiro em Braga e só depois em Guimarães, isto porque as negociações entre a UM e o município de Braga já estão praticamente concluídas.
.
In Jornal Público de 29/10/2007, artigo de Victor Ferreira

José Apolinário quer vias cicláveis em Faro

O presidente da Câmara de Faro quer criar na cidade um conjunto de vias cicláveis, cujo primeiro troço pode arrancar já no próximo ano, num projecto da autarquia em parceria com a Universidade do Algarve.
Em entrevista à Agência Lusa, José Apolinário disse que a primeira experiência é ligar o Largo de S. Francisco até ao Complexo Desportivo da Penha com uma via "devidamente assinalada para bicicletas", que poderá estar lançada até ao primeiro semestre de 2008.A autarquia, em conjunto com a Universidade do Algarve, está a desenvolver um projecto das vias cicláveis e o objectivo é promover os transportes amigos do ambiente e a utilização mais regular da bicicleta em espaço urbano, em detrimento do automóvel.Um especialista em tráfego da Universidade do Algarve, Manuel Tão, explicou à Lusa que a filosofia de vias cicláveis "só é eficiente quando está combinado com parques dissuasores"."É possível em Faro se soubermos combinar via ciclável com vários parques dissuasores e ter também transportes públicos", avança Manuel Tão.Os parques dissuasores, como poderia ser o Largo de S. Francisco, servem para estacionar o carro e pegar na bicicleta logo a seguir, com a vantagem da "flexibilidade de horários" e de se poder "deixar a bicicleta em qualquer ponto da cidade", adiantou o especialista em tráfego."É sempre bom vias cicláveis, sobretudo para Faro, uma capital regional onde há excessiva dependência de transporte automóvel individual", observou Manuel Tão.O especialista e professor na Universidade do Algarve recorda que o objectivo das vias cicláveis é conseguir combinar "transporte individual com outros transportes públicos e com a mobilidade sustentável suave", como é o caso das bicicletas, que implicam um investimento suave. A mobilidade sustentável suave diverge da mobilidade sustentável porque não envolve meios pesados nem investimentos elevados, como é o caso da bicicleta ou andar a pé em redes pedonais. A primeira experiência de uma via ciclável em Faro prevê que o traçado faça a ligação à Ecovia, projecto-piloto em Portugal, que ligará Sagres a Vila Real de Santo António numa extensão de 214 quilómetros, em fase de finalização, e que irá passar pelo Bom João e Largo de S. Francisco.
.
In Jornal Barlavento de 26/10/2007, por Hugo Rodrigues

26 de outubro de 2007

Cidades sustentáveis


Numa Europa alargada a vinte e sete Estados-membros, a vida das pessoas muda necessariamente, nem sempre para melhor, ou sobretudo não de forma idêntica ou equiparada entre os membros. Há critérios de justiça social a implementar, desigualdades a combater, mobilidade de pessoas a incrementar. O impacto global neste universo de quinhentos milhões de pessoas é enorme, mas ao nível local também se faz sentir.
.
A EUROCITIES procura, através da cooperação entre cidades (presentemente mais de 130 a nível europeu), regiões, Estados-membros e organismos da União, criar valor acrescentado nas áreas da cultura, desenvolvimento económico, partilha de know-how, criação de soluções de mobilidade e transporte e desenvolvimento social, entre outras, contribuindo para a criação de um futuro sustentável no qual o máximo de cidadãos cidadãos desta e das futuras gerações possam usufruir de uma elevada qualidade de vida.
.
A área da mobilidade entre Estados-membros e dentro das áreas urbanas torna-se um elemento vital nas cidades europeias. Assim, existe há muito no seio da Comissão Europeia a consciência que é preciso encontrar soluções para a mobilidade das pessoas, mas sobretudo que esta possa ser rápida, barata, livre e de baixo impacto ambiental como forma de preservação de recursos para as gerações futuras e aumento da qualidade de vida. A implementação de boas práticas é uma prioridade nesta óptica. Assim, igualmente as iniciativas da GLOBAL CITY FORUM e a CARTA de AALBORG para a sustentabilidae urbana, como estratégia adoptada da no seio da Campanha Para as Cidades Sustentáveis.
.
Um pouco por toda a Europa cresce o uso do transporte colectivo, a melhoria dos interfaces ou hubs de transferência de pessoas, sendo no entanto, cada vez mais, notória a implementação de sistemas cicláveis, importantes na poupança de recursos e incremento da mobilidade de pessoas por um custo muito baixo e com reduzido impacto ambiental, mas sendo igualmente muito seguro. O uso da bicicleta renasce por toda a Europa e nos Estados de charneira tornou-se um meio de transporte imprescindível no quotidiano dos cidadãos, independentemente da sua profissão ou posição social.
.
Em Portugal, começam a dar-se os primeiros passos nestas áreas, mercê de iniciativas individualizadas e não concertadas, porquanto a bicicleta ainda é, quase exclusivamente, vista como instrumento de prática desportiva, sendo a esmagadora maioria das unidades comercializadas do tipo BTT ou de estrada. São poucos aqueles que utilizam a bicicleta no seu dia-a-dia com regularidade, negligenciando aspectos importantes como a sua saúde, a poupança de tempo, recursos e a redução do seu impacto ambiental (ou pegada ecológica).
.
E no entanto, tal é algo que se tornará necessário a breve trecho, estando de imediato ao alcance de qualquer um. Voltaremos adiante a este assunto mais detalhadamente.

25 de outubro de 2007

Yuba


Neste planeta privilegiaremos a interacção com quem está desse lado. Por isso, a importância do blog de bordo desta aventura, mais até do que uma página web, para que o Planeta Q.I. cresça a par do projecto que se for traçando.
.
Aqui, procuraremos estabelecer as vias para um mundo equilibrado, onde o desenvolvimento sustentado seja parte do dia-a-dia.
.
Uma das compagnes de route, está retratada acima e consiste na introdução de um novo conceito de bicicleta para a mobilidade diária. No fundo, trata-se da aplicação do conceito SUV ao mundo das bicicletas, criando-se a categoria Sport Utility Bike, bicicletas com elevada capacidade de carga. Na foto, uma YUBA Mundo.