6 de dezembro de 2007

Conferência Sobre as Alterações Climáticas - Bali 2007 IV

Relatório e conclusões dos trabalhos em 6 de Dezembro:
- Parece claro que ha países que terão de ser incluídos no grupo dos países industralizados, como sejam a China, o Brasil e a Coreia.
- Os países industrializados terão de continuar a luta contra o aquecimento global e desta feita reduzir as suas emissões de gases de efeitos de estufa entre 25 e 40% (com referência aos valores de 1990) até 2020;
- O mercado do carbono, criado pelo Protocolo de Quioto, já e global e atingiu a fasquia dos 30.000 milhões de dólares em 2006, prevendo-se um aumento ainda este ano e nos vindouros.


Pulo do Lobo








Acordar cedo junto ao Vascão, assistir na primeira pessoa ao dissipar da neblina matinal, lavar o rosto na água fria da ribeira, levantar tenda sem deixar vestígio da breve passagem. Chegamos cedinho a Mértola com os cafés ainda a despertarem e, junto ao Guadiana, levanta-se a canoa já combinada. Coloca-se esta no tejadilho do carro e toma-se a estrada para o Pulo do Lobo, uns quilómetros rio acima. No final do asfalto, estacionamos, deixamos o carro, colocamos a canoa na Xtracycle e tomamos o estradão de sete quilómetros que nos levará ao Guadiana, mais precisamente ao acidente geológico do Pulo do Lobo (quarta foto acima), um desnível de 16 metros criado no leito do rio aquando do recuo do mar na última era glaciária. Pelo caminho, cruzamo-nos com o veado e o dinossauro, duas árvores secas que são as duas primeiras fotos, mesmo antes dos portões azuis de acesso à Herdade do Pulo do Lobo, que se abrirão e tornarão a fechar à nossa passagem. Eis-nos no rio.

O tempo para algumas fotos da praxe, um sms de segurança a avisar onde estamos, e principia a experiência da navegação no lago superior, com passagem por alguns moinhos de água e seus contrafortes desfeitos. Regressamos ao ponto de partida, passamos para a parte de baixo do rio, logo a seguir ao Pego do Sável (quinta foto), onde a experiência é mais gratificante, porque estamos enquadrados por paredes de rocha de ambos os lados. O Grande Rio do Sul continua a ter o seu encanto. Avistamos aves e pequenos mamíferos nas margens assim como um par de cegonhas negras (quatro casais recenseados no parque natural). No regresso, a corrente não é forte, mas é contrária e duplica-nos o esforço. Duas horas mais tarde, estamos de regresso a Mértola, não sem uma penosa subida com a bicicleta e a canoa no primeiro quilómetro após a saída do rio.

Mas que prazer, que enorme prazer, este regresso ao Guadiana, alguns anos volvidos depois da última vez em que cá estivemos a navegar. Depois da devolução da canoa, rumamos ao Alengarve, um pequeno restaurante na zona alta da cidade que, apesar da nova gerência, manteve-se acolhedor e simpático. Em breve regressaremos, para visitar o Pomarão.

Tarde no dia, rumamos a Lisboa, onde nos aguarda um magnífico caril de caranguejo, entre amigos e caras novas, que mal acreditam no relato e nos tomam por inconscientes. Rimo-nos, sabemos que os lençóis saberão melhor assim.

5 de dezembro de 2007

Conferência Sobre as Alterações Climáticas - Bali 2007 III

Resumo das conclusões dos diversos painéis de trabalho, em 5 de Dezembro:
a) O aquecimento global e as alterações climáticas são um factor de incremento de assimetrias entre os povos e as populações mais e menos desenvolvidos, prejudicando de forma mais grave os mais desfavorecidos;
b) É chegado o momento de agir em termos de se inverter o ciclo do aquecimento global, não de planear o momento de agir;
c) A adaptação às alterações climáticas é urgente e necessária
d) Tem de haver uma transferência de tecnologia para os países menos desenvolvidos acelerarem essa adaptação
e) Têm de ser disponibilizados fundos para correcção das assimetrias e dos desequilíbrios entre povos e bem assim para se tomarem as medidas destinadas a travar as alterações climáticas;
f) Há-que escolher uma entidade para fazer a gestão destes fundos e o modo mais equitativo de os distribuir.


Conferência Sobre as Alterações Climáticas - Bali 2007 II

A União Europeia anunciou ontem em Bali que está disposta a reduzir em 20%, até 2020, as emissões de gases indutores de efeito de estufa. Este é um passo de gigante para a Terra e um enorme exemplo para os demais Estados desenvolvidos, tendo naturalmente sido objecto de uma enorme ovação junto dos Estados do Sul.
Esta será uma via a seguir pelos países mais desenvolvidos que não sejam membros da UE, como sejam os Estados Unidos, Japão, Áustrália ou a China (em vias de entrar para o lote dos países desenvolvidos).

4 de dezembro de 2007

Conferência Sobre as Alterações Climáticas - Bali 2007

Começou ontem, dia 3, e prolongar-se-á durante duas semanas, em Bali, Indonésia, a Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas ou COP-13, ou CMP 3 ou SB 27 ou AWG 4 (para designar os diversos grupos de trabalho preparatórios). Estarão reunidos representantes de mais de 180 países, assim como membros de Organizações não-Governamentais e jornalistas, para discutir a implementação de medidas pós-Quioto 2012. Os trabalhos poderão ser acompanhados em directo no painel da ONU para as alterações climáticas ou na página do IPCC.

Recorde-se que vários países que subscreveram o tratado em 1998 ainda não o ratificaram ou se predispuseram a colocar em prática as suas medidas, entre os quais, o principal, os Estados Unidos da América. Refira-se que alguns países depositaram o seu instrumento de ratificação do Protocolo de Quioto no dia de abertura dos trabalhos. Destaque para a Áustrlália, a segunda economia em quantidade de emissão de gases de efeito de estufa per capita da Terra. A lista de países-membros do tratado pode ser consultada aqui.


Yvo de Boer, Secretário-Geral da UNCCC, na conferência de imprensa do dia de abertura da cimeira.

CO2 e publicidade automóvel

O Parlamento Europeu aprovou uma nova lei impondo que a publicidade a automóveis exiba alertas sobre os perigos e os níveis de emissão de CO2.
Os alertas deverão ocupar 20% do total do espaço, quer seja imprensa, rádio ou televisão. Não está ainda decidido a forma e o conteúdo desses avisos sobre os malefícios do CO2, mas poderão vir a ser muito idênticos aos dos maços de tabaco.
in Expresso, edição dgital de 03/12/2007

3 de dezembro de 2007

Lisboa Q.I.


De manhã acordamos cedo, ao longe as buzinas dos cacilheiros. Lá fora, por sobre o terraço debruçado sobre o casario, chega-nos um cheiro diferente da cidade. É Domingo de manhã, o silêncio impera deste lado da colina, à sombra do castelo; ali perto, uma igreja e depois outra, repicam os seus sinos chamando os poucos fiéis acordados para a oração matinal. Há gaivotas empoleiradas nos beirais dos telhados, lado a lado, rivalizando com os pombos. O rio sobe no seu leito, transforma-se em finas gotas e empoleira-se no alto dos miradouros, inundando a cidade de um nevoeiro espesso, não bafiento e isento de cheiro a lodo. Hoje não será, definitivamente, um dia sebastiânico. A cidade perfuma-se do cheiro a mar que penetra nas vielas mais estreitas, na escadaria em calçada e nas janelas quebradas do velho Tribunal agora abandonado aos pombos. O ar frio revigora-nos enquanto numa casa abaixo, que não localizamos imediatamente, escondida no nevoeiro, toca 'A Severa'. Descemos as escadas íngremes do velho solar e despenhamo-nos literalmente na rua calcetada. Atrai-nos o rio, que buscamos pela claridade crescente. De bicicleta, a cada curva, a cada esquina, a atmosfera inebriante, muda como num concerto que se anuncia excitante. Andante, sente-se que algo está prestes a acontecer, aceleramos de curva em curva, Allegro, acelera-se-nos o coração, como no Fortuna de Orff. De súbito, após dobrarmos uma última curva a descer, como anunciado a compasso, tudo explode à nossa frente. Grand Finale, as nuvens varadas pela luz deste Sol outonal filtram a luminosidade, projectam-na no rio e fazem-na reflectir-se no casario empoleirado nas colinas próximas da baixa pombalina. Há jogos de luzes na água, nas gotas da neblina, nos beirais dos pardais, nos telhados finamente recortados.

No Terreiro do Paço não há carros, mas há pessoas, crianças, velhos e gente a correr junto à margem, mimos imóveis sob o olhar atónito dos que passam e um par de palhaços decadentes. A Avenida da Índia segue-lhe o exemplo para além do Jardim do Tabaco, onde uma esplanada nova nos detém o olhar. Lisboa abre-se ao rio e este às pessoas. O encanto não está apenas agora nos bairros tradicionais, a nova identidade da cidade mora na articulação da modernidade com o clássico e o pitoresco. Fechamos os olhos e regressamos ao período da segunda guerra, à cidade pejada de refugiados em trânsito para o continente americano, ao racionamento, à espionagem e simultaneamente ao cosmopolitismo de uma cidade provisória durante quase 50 anos. Avançamos pela revolução fora, encontramos alguns murais, Che ainda mora em alguns cantos ribeirinhos, atravessamos o pragmatismo cavaquista e desaguamos na cidade nova, que se procura reinventar a todo o custo.

E o rio, que hoje cheira a rio, de forma tão presente? Qu' importe? Esta cidade, que aprendemos a amar, é eterna. É tempo de regressar ao princípio e assistir à retirada do nevoeiro.

1 de dezembro de 2007

Massa Crítica em Portimão


Estão de parabéns os participantes na primeira Massa Crítica em Portimão. Oito participantes numa primeira tentativa, é notável. O Planeta QI esteve em Portimão e confessa o transporte da oitava passageira, que era tudo menos uma Alien. Bom ambiente, imensa força de vontade de todos os participantes, desejamos as maiores felicidades ao movimento. Uma palavra especial para a Diana, à esquerda na foto, de quem partiu a iniciativa. As fotos para a posteridade estão alojadas aqui.

Registo de adesão às Massas Críticas em Novembro:
Portimão - 8 participantes (uma à pendura)
Aveiro - 3 participantes
Lisboa - 39 participantes, um tocador de gaita de foles e um megafone
Porto - 9 participantes
Coimbra - 2 participantes e um assaltante

29 de novembro de 2007

Massa Crítica em Portugal II

Não esquecer que amanhã, dia 30 de Novembro, é dia de Massa Crítica nas ruas de algumas cidades portuguesas, como Aveiro, Lisboa, Porto, Portimão e Coimbra. Já aqui foram referidos os locais de encontro dos Bicycle Lifestylers.
Desejamos as maiores felicidades à Diana na organização do evento em Portimão, posto que uma estreia naquela cidade e, obviamente, aos demais no resto do país.

28 de novembro de 2007

Worldbike.org


Worldbike.org 2006, Bike People 3:26
.
A Worldbike é uma organização internacional sem fins lucrativos de designers de bicicletas e acessórios em open source que procura criar soluções alternativas de transporte e oportunidades de negócio em países do terceiro mundo, fomentando a utilização da bicicleta como ferramenta de trabalho ali onde o acesso a um veículo automóvel é um custo incomportável para a grande maioria da população. O estudo e desenvolvimento deste tipo de soluções permitiu a criação do conceito SUB que agora vinga nos países desenvolvidos, sendo os seus melhores exemplos os da Yuba e da Xtracycle. Para além disso, as marcas associadas utilizam ainda um modelo de solidariedade social na medida em que repartem os lucros obtidos com a venda dos produtos nos países desenvolvidos, com as organizações do tipo da worldbike.
Vale a pena a visita ao site da Worldbike e o visionamento do vídeo acima, com som ligado.

27 de novembro de 2007

As Bicicletas em Setembro

As bicicletas de Setembro rolam
no asfalto quente (...)
Vamos assim em roda livre
e os peixes mordem o isco
nas águas mais profundas. Bicicletas
voltam ao parque fechado. Vem
também habitar este palácio de ócio
onde o ópio transpira nas paredes.
Risco maior não é a velocidade
mas o estilo bom da pedalada.

Eduardo Guerra Carneiro, "Profissão de Fé"
Prefácio de "As Bicicletas em Setembro", de Baptista-Bastos

25 de novembro de 2007

Robustez da Xtracycle - Riding the Spine

Têm-nos sido colocadas questões acerca do robustez do kit Xtracycle, sobretudo no que respeita a utilização em expedições ou em passeios mais exigentes como os Caminhos de Santiago, onde é fundamental uma boa capacidade de carga aliada a uma robustez e fiabilidade do conjunto. Bem, usamo-lo há muito pouco tempo, mas não tivemos até ao momento qualquer incidente em utilização normal corrente, embora a carga normal que pessoalmente eu utilize sejam duas crianças e as compras da semana num trajecto de 12 kms, ou levar crianças à escola e trabalho, com duas mochilas e um portátil, embora por vezes, em curtos trajectos, já tenha transportado três crianças. Todavia, os membros da expedição Riding the Spine, que estão a efectuar a travessia do continente americano desde o Alasca até à Patagónia utilizando as Xtracycles, saberão dizer um pouco mais acerca do assunto. Porque não dar uma vista de olhos ao site destes aventureiros modernos e, já agora, porque não visionar um dos diversos clips disponíveis na internet?
.

Bicycle Lifestyle II

Acordar de manhã cedo, ir com as crianças ao parque, passar pelo café, comprar o jornal, uma revista para os mais novos, passar pela mercearia favorita, fazer as compras do dia, parar no talho onde a nossa mãe se abastecia regularmente, sentir que o estacionamento é uma mera formalidade. Devagar, divagar pela cidade, pela promenade à procura do pão ideal, a dois, três, quatro, cinco ou a seis, com uma ou duas bicicletas que ficarão a fazer parte da mobília da família na chegada a casa. Amanhã levarão as crianças à escola e o pai ou pais ao trabalho. Sim, pode ser bicycle lifestyle, ou apenas uma família comum que dispensa os incómodos do automóvel, quando e onde este possa ser dispensado, sem fundamentalismos. Faz-se com qualquer bicicleta, mas a Yuba e a Xtracycle levam vantagem na capacidade de carga, na versatilidade e no preço.

23 de novembro de 2007

Massa Crítica em Portugal

Estamos a uma semana dos próximos eventos do movimento massa crítica em Portugal. Segundo o próprio movimento, "uma Massa Crí­tica (MC) é um passeio no meio da cidade feito em transportes não poluentes. Realiza-se sempre na última sexta-feira de cada mês às 18h00, partindo de um local pré-determinado. As MC também são conhecidas nos países lusófonos como bicicletadas porque a maioria dos participantes desloca-se em bicicleta. O termo Massa Crítica é mais apropriado porque encoraja-se a participação de pessoas que se deslocam de outras formas não-poluentes: patins, skate, trotinete, etc. Para lá das motivações pessoais de cada participante, a MC é uma coincidência organizada de cidadãos unidos pelo interesse em celebrar formas de transporte não poluentes e mais sustentáveis a longo prazo do que o automóvel ou outros veículos dependentes de energias não renováveis".

Os pontos de partida dos passeios, a realizar no próximo dia 30 de Novembro, são os seguintes:

Aveiro - Início de encontro na Praça Melo Freitas (perto do Rossio) a partir das 18h, saída às 18h30.
Coimbra - Concentração no Largo da Portagem, junto à estátua do Mata Frades.
Lisboa - Concentração no Marquês Pombal, no início do Parque Eduardo VII.
Portimão - Concentração na Fortaleza de Santa Catarina às 18:30.
Porto - Concentração na Praça dos Leões.

20 de novembro de 2007

Calculadora do Carbono - You Control Climate Change

Ultimamente tornou-se corrente falar na pegada ecológica. Com este termo visa-se designar o impacto que cada um de nós tem no planeta em termos de impacto ambiental e, nessa medida, permite saber qual a percentagem de recursos consumidos numa determinada escala de sustentabilidade da vida. A Calculadora do Carbono é um desses instrumentos e aquele que mais directamente nos permite identificar comportamentos de gasto exagerado e, bem assim, procurar uma melhoria da nossa eco-perfomance. Há vários modelos disponíveis na internet, mas aqui poderá encontrar uma calculadora simples, mas nem por isso menos perfomante e informativa (desenvolvida no âmbito do programa You Control Climate Change promovido pela Comissão Europeia). Teste a sua eco-perfomance e veja onde pode melhorá-la, se possível poupando dinheiro.