7 de fevereiro de 2008

Telegrama Groupama

Uma breve nota para dizer que o Groupama 3 acaba de passar o Cabo da Boa Esperança em tempo recorde. Mantém-se em avanço sobre o tempo do Orange 2, mas agora a menos de 300 milhas virtuais de distância. Voltaremos a este assunto assim que houver uma nesga de tempo.

6 de fevereiro de 2008

Uma bejeca para o caminho

Lido num pacotinho de açucar da Caffecel: na volta a Portugal em bicicleta de 1951, Ribeiro da Silva, uma figura proeminente no ciclismo nacional (ganhou as voltas de 1955 e 1957) terá, devido ao calor, parado numa venda de beira da estrada para beber uma cerveja fresca. Como não tinha dinheiro, teve de esperar por um carro de apoio para pagar a dívida. Longe vinham ainda os tempos do controlo anti-doping ditados pela UCI. Como curiosidade refira-se que a volta desse ano foi ganha por Alves Barbosa.

Portugal é 18º em Desempenho Ambiental

Portugal ocupa o 18º lugar em termos de performance ambiental, de acordo com o Índice de Desempenho Ambiental 2008, apresentado recentemente em Davos pelo Fórum Económico Mundial. A lista de 149 países é liderada pela Suíça (com 95,5 por cento), logo seguida da Noruega, Suécia e Finlândia. Os últimos são Serra Leoa (40) e Angola (39,5),e na 149ª posição está o Níger com 39,1 por cento. O índice avaliou o trabalho feito na área do clima, poluição do ar, água, recursos naturais e qualidade ambiental, e foi elaborado por uma equipa especialista das universidades de Yale e Columbia.
Dentro da fronteira europeia, Portugal está na 11ª posição, à frente de países como Itália, Dinamarca, Espanha ou Holanda. O País está acima da média europeia em cinco das seis categorias, avaliadas com base em 25 indicadores, que reflectem as prioridades ambiuentais dos governos e a concretização mundial do objectivo 7 dos «Objectivos do Milénio», da Organização das Nações Unidas, que é «garantir a sustentabilidade ambiental». Onde Portugal conseguiu os melhores resultados foi nas áreas do saneamento básico, água potável, emissões per capita, e protecção de habitats críticos. A pior nota obtida foi na área da biodiversidade e habitat, onde ficou abaixo da média, e no indicador de áreas marinhas protegidas e conservação efectiva da natureza.


A irreversibilidade dos "tipping elements"


Um estudo publicado ontem na revista “Proceedings of the National Academy of Science” (PNAS) lista as nove regiões do planeta que, ainda este século, serão palco de alterações bruscas devido ao sobre-aquecimento do planeta. Os cientistas, coordenados por Tim Lenton, da Universidade de East Anglia, alertam que pequenas actividades humanas podem alterar, de forma ampla e duradoura, alguns dos componentes mais importantes do sistema climático do planeta. Os investigadores chamam “tipping elements” a nove desses componentes que estão em risco de ultrapassar uma fronteira crítica. Os nove elementos são: o degelo do Ártico (processo que se estima estar concluído dentro de dez anos), o recuo da camada de gelo na Gronelândia (em 300 anos), o colapso da plataforma gelada do Oeste da Antárctida (300 anos), o colapso da corrente oceânica global conhecida como termoalina (100 anos), o aumento da oscilação do fenómeno El Niño no Pacífico (100 anos), o colapso das monções na Índia (um ano), a interrupção das monções na região ocidental de África (dez anos), o desaparecimento da floresta da Amazónia (50 anos) e o desaparecimento da floresta boreal (50 anos).

Fonte: Lusa

O primeiro albatroz do Groupama

Pode parecer pouco ou até insignificante, mas não é. No Groupama 3 acabam de avistar o primeiro albatroz, ainda no Atlântico, mais ou menos à latitude da Cidade do Cabo. Numa volta ao mundo por via marítima, significa que acaba de se entrar no imenso Sul, normalmente abaixo do paralelo 40ºS, onde o carrossel das vagas gigantes e dos ventos depressionários se encadeiam de forma infernal. E que faz um albatroz em semelhantes paragens? Nada. Mas também voa e pesca e apenas virá a terra para acasalar e procriar.

4 de fevereiro de 2008

Riding the Spine & Dolce Vita

Enquanto os homens a bordo do trimarã gigante Groupama 3 continuam a mergulhar em direcção à imensidão dos Mares do Sul, agora já com mais de 600 milhas de avanço em relação ao tempo do Orange 2, na América Latina Goat, Jacob, Sean e, agora também Nate e Russ, igualmente rumo a Sul, chegaram a metade do percurso pedalando arduamente entre o Alasca e a Terra do Fogo. Depois da travessia da Guatemala, estão agora na Nicarágua e as suas bicicletas long-tail continuam a portar-se à altura e a suportar lindamente as agruras e dificuldades do trajecto da expedição Riding the Spine.

Destaque-se, entre as montarias participantes, a fantástica Chupacabra tripulada por Goat, que é uma verdadeira sensação, a analisar demoradamente sob o ponto de vista do arrojo técnico.




Deste lado começamos a preparar a nossa Xtracycle para os primeiros raides do ano e para uma eventual participação nos Caminhos de Santiago. A ponte a meio do quadro foi reforçada e a corrente substituída por uma mais robusta. Por outro lado, optámos por pneus de estrutura reforçada que se dão melhor nas pedras, depois de alguns percalços recentes em zonas rochosas. Os travões foram igualmente substituídos por uns Deore Lx de forma que as descidas de declive acentuado passaram a ser uma formalidade, mesmo com carga plena.

Entretanto, ainda noutro registo, aproxima-se o tempo em que as crianças voltam a ir para a escola de comboio e bicicleta e a dolce vita da bicycle lifestyle regressa alegremente. Neste Inverno perdemos uma dezena de quilos, muito por culpa de uma coisa destas, mas o certo é que em quinze dias nos foi possível regressar ao comando de uma bicicleta. O progresso da medicina é notável.

30 de janeiro de 2008

Groupama 3: recorde entre Ouessant e a Linha do Equador

Com apenas 6 dias, 6 horas e 24 minutos de tempo decorrido desde o cruzamento da linha de partida em Ouessant, na costa Atlântica francesa, o trimarã Groupama 3 acaba de cruzar a linha do Equador, passando a navegar no Hemisfério Sul. Este passa a ser um tempo de referência na volta ao mundo e o mais rápido de sempre. O Equador é um - o primeiro - dos pontos de controlo e referência de tempo de entre os vários ao longo do percurso. Próximo encontro: Cabo da Boa Esperança, depois da delicada curva que aproximará o Groupama das costas brasileiras, numa rota peculiar inaugurada pelos navegadores portugueses para contornar o anticiclone de Santa Helena e assim aproveitar os melhores ventos para negociar a entrada no Indico Sul.
Aqui pode verificar a comparação entre o percurso feito até ao momento pelo Groupama 3 e o actual detentor do recorde, o catamarã Orange 2 de Bruno Peyron, em 2005. Há quase 500 milhas de diferença entre um e outro à passagem pelo Equador, a favor do primeiro.

Perdas de água na rede pública em Lisboa

Segundo noticia o Expresso online esta tarde, a rede de distribuição de água para consumo humano na área de Lisboa perdeu 19,4 milhões de metros cúbicos em 2007, em 1.463 roturas nos ramais de abastecimento. [...]

Estas perdas de água equivalem, por exemplo, a 3.800 tanques centrais do Oceanário de Lisboa, que tem capacidade de 5.000 metros cúbicos, ou a 19 dias consecutivos de captação, pela torre de bombagem existente na albufeira da Barragem de Castelo do Bode.

Os números, evidentemente, assustam, mas nem são, em termos relativos, dos piores no país. Faro, por exemplo, já chegou a perder cerca de metade da água que circula pelas suas tubagens. O que verdadeiramente choca é o desequilíbrio entre estes desperdícios e as situações de verdadeira carência em certas alturas do ano. Mais ainda, se nos detivermos na ideia que as guerras que vão começando em África muitas vezes têm como motivação o acesso à água por parte dos pastores (nómadas) por contraposição aos agricultores (sedentários). Ou que grande parte dos refugiados deste mundo o são por causa da água, associada a problemas de índole ambiental, seja pela subida das águas nos atóis do Pacífico, seja pela sua absoluta carência motivada por seca ou contaminação dos lençois freáticos.



Parabéns Lego


Um mea culpa: nada disto tem que ver com o ambiente e as pecinhas até são de plástico e perdem-se amiúde, mas a Lego fez 50 anos e nem o Google se esqueceu de assinalar a efeméride. Na minha infância perdi as contas às peças que perdi, às que encontrei, às que me ofereceram, às que não sei como obtive, às que danifiquei, às que inventei, às horas de diversão e entretenimento em que as tardes voavam entre bocados de pão com manteiga e açucar, ou xarope de cenoura nos dias mais frios. Mas a verdade verdadinha é que ainda hoje, por vezes, numa ou noutra montra, o olhar como que se me prende naquelas pecinhas multicolor...

29 de janeiro de 2008

73 minutos em Amsterdão

Nieuw Markt, Amsterdão

A internet está cheia de páginas acerca de Amsterdão e das suas ruas repletas de bicicletas, de artigos, comentários e suspiros acerca do modelo que a Veneza do Norte é ou deveria ser para qualquer cidade que deseje implementar vias cicláveis. Brian é um americano que em 12 de Setembro de 2006 passou acidentalmente por Amsterdão durante um périplo pela Europa. Nesta cidade, Brian sentou-se numa esplanada na praça Nieuw Markt a tomar um café e reparou quão diferentes são as bicicletas e as pessoas que as utilizam. Assim, durante os 73 minutos que demorou a tomar um café, Brian tirou 82 fotografias das distintas "Amsterdam Bicycle Trends" (para manter a expressão original do autor). O resultado é este. O engraçado é que grande parte da essência de Amsterdão está captada na sequência de fotos.

Parentesis "planetário" para...

... abordar o tema da curva da felicidade, que não é de somenos importância para o bom ambiente do planeta.
Segundo uma notícia na TSF esta manhã, "um trabalho realizado por investigadores da Universidade de Warwick e do Dartmouth College, nos Estados Unidos, com o título "Terá o bem-estar a forma de U no ciclo da vida?", vai ser publicado na revista Social Science & Medicine, a publicação de ciências sociais mais citada em todo o mundo. Os cientistas constataram que os níveis de felicidade têm a forma curva de um U, com o ponto mais alto no início e final da vida e o mais baixo na meia-idade. Muitos estudos anteriores do decurso da vida sugeriam que o bem-estar psicológico se mantinha relativamente estável e consistente com o avançar da idade.

«Para a pessoa média no mundo moderno, tanto a saúde mental como a felicidade chegam lentamente, não de repente num único ano».

«Só quando chega à casa dos 50 é que a maioria das pessoas deixa de ser susceptível à depressão. Mais tarde, aos 70, mantendo-se fisicamente em forma, as pessoas, em média, podem sentir-se tão felizes e mentalmente sãs como aos 20 anos».

Foto: Henry Cartier-Bresson

28 de janeiro de 2008

Troféu Júlio Verne em disputa

(Julho 2007, Groupama 3, quebra do recorde da travessia do Atlântico Norte)

Época de tentativas de quebra de recordes no Hemisfério Norte. Depois da travessia do Atlântico Norte, Franck Cammas e o seu trimarã Groupama 3 atacam o recorde da volta ao mundo ajudados por uma tripulação constituída pelos melhores e mais experientes marinheiros do planeta. Em disputa está o Troféu Júlio Verne, criado por Yves Le Cornec em 1985. Destinava-se a ser entregue aos tripulantes da primeira embarcação utilizando exclusivamente como meio de propulsão a força do vento ou a força humana que conseguisse realizar a volta ao mundo em tempo inferior a 80 dias. Em 1993 Bruno Peyron arrecadou pela primeira vez o troféu, o qual actualmente está na posse... de Bruno Peyron, com um novo recorde estabelecido em 2005. O tempo de referência de Peyron, a bater, é de 50 dias, 16 horas, 20 minutos e 4 segundos. Cammas e o seu Groupama 3 partiram de Ouessant no passado dia 24 e deverão cruzar a linha de chegada antes de 15 de Março à 1 hora, 9 minutos e 21 segundos (CET).
Esta manhã, já à latitude de Cabo Verde, os velejadores franceses detinham um avanço de 250 milhas sobre o melhor tempo de referência. Todavia, apenas com a entrada no Grande Sul, pela porta do Cabo da Boa Esperança, se verá se a campanha pode ter sucesso. A percepção da meteorologia e o "saltitar" ordenado entre sistemas meteorológicos é fundamental neste tipo de exercício. Para já, a meteorologia parece (e de que maneira!) de feição.
Sistema meteorológico no Pot au Noir, Domingo, 27 de Janeiro

Forum Social Mundial





Por contraposição ao Forum Económico Mundial, de Davos, decorreu igualmente o Fórum Social Mundial. Segundo os seus mentores, este "é um espaço de debate democrático de idéias, aprofundamento da reflexão, formulação de propostas, troca de experiências e articulação de movimentos sociais, redes, ONGs e outras organizações da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo". Este ano decorreu no Brasil e igualmente termina esta manhã.

24 de janeiro de 2008

A árvore de Anne Frank

Fotografia: Jerry Uelsmann

Valeu a pena a acção dos ambientalistas e dos muitos leitores de Anne Frank que se mobilizaram em defesa de uma árvore condenada à morte. O velho castanheiro das Índias que a jovem Anne Frank via todas as manhãs, do sótão da casa onde se escondia dos nazis, em Amesterdão, e sobre o qual escreveu passagens impressionantes no seu célebre diário, vai escapar à serra eléctrica. Ouvido aqui, esta manhã, por Fernando Alves, na TSF.
Noutro contexto, pode deixar uma folha na árvore de Anne Frank, observar a árvore a partir de uma câmara instalada no anexo onde Anne se escondeu dos nazis, ou efectuar um donativo para ajudar a salvá-la.