6 de janeiro de 2012

Maxi Banque Populaire - o mundo na palma da mão

O mundo ficou mais pequeno. Há instantes, o trimarã Banque Populaire cumpriu uma volta ao globo terrestre, sem escalas, em 45D 13H 42', o que passa a representar o recorde absoluto de circum-navegação à vela ou a motor. Longe vão os 80 dias da volta ao mundo de Júlio Verne. O francês Loïck Peyron e a sua tripulação passam a ser os mais rápidos navegadores do planeta. Como curiosidade, fizeram a sua viagem em menos tempo que Pedro Álvares Cabral levou a chegar ao Brasil, ou Colombo às Américas. A velocidade máxima alcançada foi de 46 nós (85,19 kms/h) e pela primeira vez foi possível percorrer 1.000 milhas náuticas (1.852 kms) num único dia.

19 de dezembro de 2011

Bikeability midterm seminar

Cities for zero-emission travel and public health 





A transição do aumento do transporte de pessoas do automóvel para as bicicletas é geralmente considerada como um ganho para a sociedade, de forma mais profunda, em termos de redução de emissões e aumento da saúde pública. No entanto, o modo de partilha da bicicleta diminuiu nos últimos anos, levando à conclusão pelo Governo dinamarquês, que as condições para o uso da bicicleta  devem ser melhoradas para aumentar o uso desta como meio de transporte. Este projecto de investigação parte desta conclusão e incide sobre as pré-condições para o uso da bicicleta; os possíveis efeitos das mudanças do ambiente urbano e infra-estruturas cicláveis bem como as metodologias para a avaliação de alterações nas redes existentes com base em dados espacialmente existentes a um micro nível. Desta forma, o foco estratégico do projeto é o modo como reforçar a capacidade do uso da bicicleta (bike-ability) em áreas urbanas, em quatro níveis:

a) mudanças sociais, culturais e demográficas da população urbana;
b) mudanças na estrutura urbana (densidade populacional, quantidade e qualidade de vias cicláveis, respetiva localização e infra estruturas); 
c) mudanças na infraestrutura ciclável (novas ciclovias, viadutos)
d) mudanças na programação da rede viária (semáforos, segregação da rede ciclável)

Naturalmente, o modelo tem em conta estudos comportamentais e motivacionais e toma por base a sociedade dinamarquesa. Contudo, o seminário destina-se a permitir a aplicação dos resultados do projeto alargando-o a outras zonas do globo, onde se pretenda implementar ou amplicar o uso da bicicleta como meio de transporte.


15 de dezembro de 2011

15 de novembro de 2011

A Terra em "time lapse"


A Terra em time lapse vista da Estação Espacial Internacional

A sequência fotográfica foi captada pela tripulação da Estação Espacial Internacional, de Agosto a Outubro de 2011, e depois reunida em vídeo (usando a técnica de "time-lapse") revelando imagens soberbas do planeta Terra visto do espaço. A Aurora Boreal, as luzes das cidades ao longo do planeta, os relâmpagos das trovoadas e o contorno dos continentes, tão detalhado que é possível reconhecê-los imediatamente, são algumas das maravilhas que se podem ver neste vídeo.

Segundo o "Daily Mail", as imagens, divulgadas pela NASA, foram compiladas por Michael Konig, especialista em "time-lapse", que afirmou que o vídeo teve alguma pós produção, "para fluir melhor", mas "não tem qualquer tipo de manipulação gráfica", sendo as imagens "perfeitamente reais", tal como foram captadas.

Time-lapse

O "time-lapse" é uma técnica que consiste em tirar uma fotografia, de um ponto fixo e a determinados intervalos de tempo (pode ser de 3 em 3 segundos, minuto a minuto, ou mais), e depois reproduzir essa mesma sequência de imagens em tempo real, ou seja 24 imagens por segundo. Assim, consegue-se um vídeo onde é possível visualizar, em poucos segundos/minutos, as alterações que, na vida real, demor­aram horas a acontecer.

31 de outubro de 2011

Volvo Ocean Race

Os Volvo Open 70 estão de volta ao mar. Começou no dia 29 mais uma edição da Volvo Ocean Race (antiga Witbread) com a in-port race. Com saída de Alicante dentro de cinco dias, com passagem por quatro oceanos, cinco continentes, dez cidades (uma das quais Lisboa), a edição deste ano deverá ser renhida, uma vez que as condições de navegação serão mais variadas que o costume e houve um esforço para que os barcos sejam o mais equilibrados possível.

Dentro de cinco dias os VO70 começarão a descida de seis mil e quinhentas milhas até ao sopé da Table Mountain, na Cidade do Cabo.



Alicante, 29 de Outubro 2011

11 de dezembro de 2010

Adoptado acordo sobre alterações climáticas em Cancun


O acordo concluído hoje inclui a criação de um Fundo Verde, uma ajuda de cem milhões de dólares anuais para os países em desenvolvimento a partir de 2020. A totalidade do acordo discutido na cimeira sobre alterações climáticas em Cancun, que inclui a criação de um Fundo Verde para ajuda aos países em desenvolvimento, foi adoptada este sábado.

«Esta é uma nova era internacional da cooperação em termos de alterações climáticas», afirmou a ministro mexicanos dos Negócios Estrangeiros, Patrícia Espinosa.

Apesar dos aplausos da maior parte dos delegados presentes, a Bolívia discordou deste acordo por este fazer exigir pouco das nações desenvolvidas em termos de cortes nos gases de efeito estufa.

16 de novembro de 2010

COP16 e CMP 6, Cancun, Mexico


A pouco menos de uma semana do início da nova ronda de negociações que terá lugar em Cancun, México, já começaram os trabalhos organizatórios na "messe" onde decorrerá o encontro. A 16ª COP (Conference of the Parties) e a 6ª CMP (Conference of the Parties serving to Kyoto Protocol) decorrerá entre 29 de Novembro e 10 de Dezembro de 2010. O objetivo é, recorde-se, acordar de forma vinculativa os termos de um protocolo que suceda ao Protocolo de Quioto, que cessa os seus efeitos em 2012. Há um ano, em Copenhaga, o objetivo não foi atingido, na medida em que os representantes de alguns Estados não possuíam mandato suficiente de representação destes, pelo que não se puderam comprometer com um tratado vinculativo (caso dos Estados Unidos e da Austrália, por exemplo), enquanto outros Estados não quiseram comprometer unilateralmente, ou sem ver satisfeitas certas contrapartidas. Assim, o acordo possível foi este. Ao longo do ano foi possível constatar uma evolução das consciências, mas nada que nos permita encarar com verdadeiro otimismo a nova ronda negocial, sobretudo tendo em atenção o recente resultado das eleições norte-americanas.

9 de novembro de 2010

Conferência de Guillermo Peñalosa

Conferencia de Guillermo Peñalosa sobre "La Bicicleta y la Ciudad" from Chema Lahidalga on Vimeo, em 31 de Outubro de 2010, em Sevilha.

Guillermo Peñalosa é o líder da Fundação 8-80 Cities e foi responsável por diversas iniciativas de sustentabilidade urbana na Colômbia. Para além disso, é consultor em diversos organismos norte-americanos e europeus e é ainda o responsável pelo projeto "ciclovia", de que o encerramento ao Domingo do Terreiro do Paço, em Lisboa, constitui um exemplo. Mas mais do que palavras aqui escritas, mais vale assistir à conferência proferida.

25 de outubro de 2010

Balanço Festival Bike 2010 - panis et circences?

Terminou mais uma edição do Festival Bike 2010 nos pavihões de Santarém do CNEMA. Pela primeira vez o Planeta QI particupou na pequena maratona, em ritmo tranquilo, 52 kms sem grandes altimetrias, que se completaram sem grande história (apenas dois furos) em pouco mais de três horas. Como estamos habituados aos passeios pela serra algarvia, estes 52 kms foram um passeio bem agradável.
À exposição então. Nos tempos que correm não se esperaria grande investimento por parte dos importadores e dos poucos fabricantes nacionais. Pouco importa que em toda a Europa o setor da mobilidade urbana seja o que mais tem crescido, que as elétricas tenham duplicado o espaço em outros certames afins (nem vou falar da Eurobike deste ano), em Portugal continuamos alegremente a olhar para a bicicleta como um objeto de lazer. No mesmo fim de semana do Festival Bike decorria em Santarém a Feira da Gastronomia e uma manifestação pró-tourada, que permitia assitir a lides pagando apenas um euro pelo ingresso. Panis et circences, portanto, que pedalar custa bastante. Na "monumental" de Santarém, rezam as crónicas de quem lá esteve, nem faltou Moita Flores vestido de campino.
No CNEMA, nenhuma autarquia esteve presente a nível oficial, nenhum instituto ou autoridade nacional, apenas empresas privadas procurando promover os seus produtos e uma ou outra associação local ou de âmbito nacional como a FPCUB, que bem ou mal (normalmente mais bem que mal) vão fazendo o pouco que conseguem. Foi isto que o CNEMA viveu ao longo de três dias, não sabemos se por falta de visão de quem dirige, deficiência da organização ou, provavelmente tudo em conjunto.
Evidentemente, havia novidades, no setor desportivo e de lazer, bicicletas de estrada, de montanha, carbono, alumínio, titânio, XTR, XT, 105 e Acera a rodos, tudo já devidamente catalogado e dissecado nas revistas da especialidade. Nesse campo, embora eu não seja um entendido, nada faltava, provavelmente. Já para a cidade... No stand da Shimano, diga-se em bom abono da verdade, havia um grupo Alivio exposto, contudo sem preço disponível, nem informação sobre se seria possível encomendá-lo. O mesmo se aplicava ao grupo Nexus, que contudo promava pela ausência, apesar de haver algumas bicicletas equipadas com este grupo no certame. Em caso de avaria, provavelmente será uma dor de cabeça encontrar peças em Portugal...
No setor da mobilidade urbana, as novidades eram mais raras. Assim, destacaria talvez a linha da Globe, presente no stand da Specialized com quatro gamas diversas e com programas bem definidos, modelos com um verdadeiro bom gosto e com linhas depuradas e adaptadas a uma utilização citadina confortável. Evidentemente, havia ainda uma ou outra marca com novidades, mas nada que verdadeiramente seja digno de nota.
Ao nível das elétricas, conseguimos contar 10 modelos expostos em todo o certame, sendo que duas delas não eram a nível oficial, apenas serviam para ilustrar acessórios comercializados pelo expositor. Destacariamos as e-motion da BH, mas a um preço desconcertante, claramente sofrendo na concorrência com as Giant Twist com o Hybrid Cycling Technology.
Evidentemente, a forma de promoção do produto bicicleta e o respetivo posicionamento no mercado estão errados e se dúvidas havia, este certame provou isso. Existe, a par disso, uma evidente falta de envolvimento oficial por parte de quem tem capacidade de promover uma mudança de hábitos. A bem dizer, até existe massa crítica, a prova viva está nos diversos blogs, em artigos dispersos, em milhares de artigos de opinião soltos. Até acreditamos que no seio das autarquias exista quem tenha vontade de promover e divulgar o uso da bicicleta, sem que contudo detenha as ferramentes necessárias. É aí que na nossa opinião deve residir o esforço da mudança, na divulgação de ferramentas, de métodos de planeamento, onde para já importa mais sensibilizar que gastar dinheiro, ou pelo menos gastar menos dinheiro, sendo desnecessário apelar à necessidade de construir ciclovias a torto e a direito. Falta, por assim dizer, o esforço aglutinador, que dê sentido ao enorme contributo válido que está espalhado na sociedade civil.
Foi tudo isto que foi possível constatar e confirmar no recinto do 7 Festival Bike 7. Panis et circences, a bem dizer.

22 de outubro de 2010

Hovding - um airbag para ciclistas

Sem querer entrar na querela da obrigatoriedade ou não do uso uso do capacete enquanto se anda de bicicleta, uma coisa me parece óbvia: salvo casos verdadeiramente excecionais, a cabeça de um ciclista que usa capacete enquanto se desloca de bicicleta estará mais protegida que a daquele que não o usa em idênticas condições. Evidentemente, daí a tornar o seu uso obrigatório vai um passo que não tem necessariamente de ser dado. Se assim fosse, teríamos, no limite, de igualmente começar a questionar a necessidade do uso de joelheiras, cotoveleiras e luvas, sendo que relativamente a estes últimos dispositivos de segurança só agora começou o debate acerca do seu uso obrigatório em competições de tipo Freeride ou Down Hill.

Foi por não querer entrar nesta querela que a Hovding, marca criada pelas suecas Anna Haupt e Terese Haustin, criou um laboratório para estudar as condições de impacto da cabeça do ciclista perante situações comuns de risco enquanto se conduz, evoluindo em seguida para a criação de um dispositivo de air bag para prteção da cabeça do ciclista, o qual se ativa de forma automática em caso de acidente. Como empresa nórdica que é, evidentemente, o dispositivo é quase impercetível em uso e enquadra-se num look "casual chic" perfeitamente compatível com um uso diário, sobretudo em tempo mais fresco (veja-se o exemplo, instalado na zona do pescoço, na imagem acima). O modo de funcionamento do airbag pode ser visto em três filmes aqui.

21 de outubro de 2010

Festival Bike

O Planeta QI estará mais uma vez no Festival Bike, mas desta vez não a expor, antes a participar na maratona. Não será numa Xtracycle, como aconteceu em algumas provas algarvias nos últimos dois anos, porque a "X" está atualmente em testes de equipamento para escolha do sistema definitivo de "eletrificação". Todavia será adotado ritmo de passeio, em confraternização com os demais concorrentes.

20 de outubro de 2010

Reboque de bicicletas usando uma long tail


Sem dúvida que por vezes as ideias mais simples se tornam nas melhores. Confrontado com a necessidade de rebocar uma bicicleta na sua Yuba, o Steve fez uma pequena alteração no side board que torna o ato numa brincadeira de crianças, com um mínimo de esforço, cujo projeto pode ser visto aqui.

A simplicidade é tanta que chega a ser desconcertante e perguntamo-nos como não pensámos antes no que é óbvio. Apesar de desenhado para a Yuba, o aparelho serve igualmente para a Xtracycle, se adaptada uma tábua de suporte aos
wide loaders laterais.

9 de outubro de 2010

Diários da Byrne: a bicicleta e a cidade humanizada

David Byrne, vocalista dos Talking Heads, é um conhecido ativista da causa da mobilidade leve em geral e da bicicleta em particular. Nessa medida, utiliza em larga escala, nas suas viagens, uma bicicleta dobrável, que costuma recolher no seu quarto de hotel. Ao longo dos anos redigiu diversos textos em cidades tão díspares como Berlim, Manila, Buenos Aires, Istambul, São Francisco, Roma ou Nova Iorque, nos quais relata a experiência de andar de bicicleta naquelas cidades, ligando muitas vezes o uso desse meio de transporte à forma como a cidade se desenvolveu em correlação direta com sociedade. A arquitetura e o desenvolvimento do espaço urbano, fruto dessa correlação, espelham bem se a cidade se humanizou ou descaracterizou, sendo que em muitos dos casos (em particular nas cidades norte-americanas) a cidade nunca se chegou verdadeiramente a humanizar, particularmente nas zonas que cresceram demasiado rapidamente, fruto da exploração industrial e da dotação de estruturas viárias adaptadas ao automóvel. Os textos de Byrne foram reunidos em livro com o título "Bicycle Diaries" (publicado em português pela Quetzal sob o título "Diário da Bicicleta").
Como ponto de partida os textos de Byrne são interessantes, porque revelam o senso-comum que se vai tendo da realidade actual. Com efeito, ao mesmo tempo que nas sociedades em que a bicicleta era até há pouco tempo muito utilizada, o seu uso vai sendo vencido pela adopção do automóvel (Pequim, Hanói, Shangai, Manila, Marraquexe) enquanto nas cidades europeias o uso do automóvel vai tendencialmente estando mais controlado não só em frequencia de uso, como igualmente em termos de espaço. Isto está, por enquanto, a ser possível porque em muitas das cidades europeias, particularmente nas mais antigas, ainda existe um núcleo histórico que cresceu em torno de um centro, onde coexistem habitação, comércio, serviços e áreas de lazer, cuja revitalização é possível e o emaranhado de ruas é compatível com a introdução (ou reintrodução) da bicicleta (Paris, Londres, Berlim, Barcelona, Florença são exemplos dessas cidades). Há, naturalmente, cidades mais recentes onde o núcleo central desapareceu ou deslocou-se para periferias distantes, fruto do urbanismo desenfreado, ou da criação de zonas comerciais, industriais ou de serviços fora do referido núcleo central (Lisboa e Madrid são cidades onde se optou por este tipo de desenvolvimento), tendo sido atravessadas por vias rápidas mais compatíveis com o uso do automóvel que da bicicleta. Salientam-se contudo os esforços - por vezes demasiado tímidos - que em Lisboa têm vindo a ser feitos para reintroduzir a bicicleta e a mobilidade leve dentro do perímetro urbano da cidade.
Na cidade americana, à excepção de Nova Iorque (zona de Manhattan), Boston ou São Francisco (mas outras haverá certamente), que adoptaram um modelo de desenvolvimento inicial muito próximo do europeu, o uso da bicicleta tem uma expressão forte e tornou-se um objecto de moda, pelo que a pouco e pouco vai-se impondo. O que é realmente de salientar é que no "novo" centro de Nova Iorque, numa zona perdida para os peões e bicicletas como era Times Square, Michael Bloomberg conseguiu em dois anos inverter a tendência, humanizou a zona, fomentando o uso da mesma por pessoas, tornando-a numa zona de lazer, que logo em seguida trouxe consigo a abertura de pequenos estabelecimentos que modificaram aquela zona.
O exemplo de Nova Iorque deve constituir um modelo de inspiração para outras cidades e pensamos que pode constituir um excelente exemplo para Lisboa (v. video abaixo).