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19 de fevereiro de 2008

GROUPAMA OUT!

Groupama 3, virado ao largo da Nova Zelândia

Terminou a aventura Groupama no Troféu Júlio Verne. Ao largo da Nova Zelândia, o trimarã gigante quebrou o flutuador de bombordo e virou-se. A operação de resgate da tripulação foi efectuada com êxito através de helicóptero da marinha neo-zelandesa. A quebra do recorde da volta ao mundo à vela fica adiada, pelo que este permanece na posse do Orange 2 e de Bruno Peyron.

14 de fevereiro de 2008

Hyeres, França
A mobilidade urbana segundo Cartier-Bresson

Bom dia. Do outro lado do mundo, quase à longitude do Cabo Leewin, na Austrália, o Groupama 3 caiu num poço de (absoluta falta de) vento e o seu avanço virtual para o Orange 2 caiu para cerca de 300 milhas. Os nervos estão à flor da pele dos marinheiros, mas vale o Sol que brilha na zona e a claridade dos dias compridos perto da latitude 50º Sul.

11 de fevereiro de 2008

Telegrama Groupama

O Groupama 3 conseguiu finalmente libertar-se do sistema meteorológico em que se encontrava e desceu para perto do paralelo 42º S, onde encontrou melhores condições de mar e vento que lhe permitiram manter uma média de progressão para Este acima dos 30 nós nas últimas horas. A distância virtual para o Orange 2 regressa às 450 milhas e com tendência a aumentar. Único senão: duas frentes depressionárias no Índico que podem descer para Sul e bloquear a rota do trimarã gigante. Foi entretanto escolhida uma rota a Norte para efectuar a delicada passagem pelas Ilhas Kerguelen, parte das Terras Austrais e Antárticas Francesas. Isto porque é uma zona sujeita a forte ondulação mercê da súbita elevação dos fundos ocêanicos perto da plataforma do arquipélago numa zona de águas envolventes acentuadamente profundas.

8 de fevereiro de 2008

Groupama 3, a partida do albatroz e a entrada caótica no Índico

Nos últimos dois dias o Groupama 3 perdeu imenso do avanço que detinha face ao Orange 2. Neste momento a distância reduziu-se para pouco mais de 200 milhas e tenderá ainda a diminuir nas próximas 24 horas, dado que a embarcação navegará à bolina durante umas horas, até estancar, mercê da melhoria das condições de navegação. As dificuldades foram motivadas por um anticiclone que se alojou à entrada do Índico, a sudeste do Cabo da Boa Esperança e por uma depressão girando demasiado a norte em torno da Antártida. O encontro de ambas provocou forte ondulação do mar, fazendo com que este ficasse bastante desencontrado, dificultando enormemente a progressão. No caso de um trimarã isto é tanto mais complicado quanto três cascos significam multiplicar o problema por três, com pressão e pancadas enormes em toda a estrutura de braços, mastro e velame.
Aqui podemos verificar a evolução dos centros de altas e baixas pressões ao largo da costa oeste africana, sobrepondo-se a rota do Groupama a verde.
Dois dias antes do Cabo da Boa Esperança o Groupama passou ao largo da Ilha de Santa Helena, colónia britânica e local de exílio de Napoleão Bonaparte, mas provavelmente os marinheiros não tiveram tempo de se lembrar do facto dado que tiveram de manobrar bastante, com mudanças de bordo consecutivas.
A boa notícia é que as esperanças de se atingir o recorde continuam intactas e a tripulação conseguiu acariciar o dorso de um segundo albatroz, antes de este se despedir (na imagem: Franck Proffit, chefe de quarto e leme a bordo do Groupama 3).

7 de fevereiro de 2008

Telegrama Groupama

Uma breve nota para dizer que o Groupama 3 acaba de passar o Cabo da Boa Esperança em tempo recorde. Mantém-se em avanço sobre o tempo do Orange 2, mas agora a menos de 300 milhas virtuais de distância. Voltaremos a este assunto assim que houver uma nesga de tempo.

6 de fevereiro de 2008

O primeiro albatroz do Groupama

Pode parecer pouco ou até insignificante, mas não é. No Groupama 3 acabam de avistar o primeiro albatroz, ainda no Atlântico, mais ou menos à latitude da Cidade do Cabo. Numa volta ao mundo por via marítima, significa que acaba de se entrar no imenso Sul, normalmente abaixo do paralelo 40ºS, onde o carrossel das vagas gigantes e dos ventos depressionários se encadeiam de forma infernal. E que faz um albatroz em semelhantes paragens? Nada. Mas também voa e pesca e apenas virá a terra para acasalar e procriar.

30 de janeiro de 2008

Groupama 3: recorde entre Ouessant e a Linha do Equador

Com apenas 6 dias, 6 horas e 24 minutos de tempo decorrido desde o cruzamento da linha de partida em Ouessant, na costa Atlântica francesa, o trimarã Groupama 3 acaba de cruzar a linha do Equador, passando a navegar no Hemisfério Sul. Este passa a ser um tempo de referência na volta ao mundo e o mais rápido de sempre. O Equador é um - o primeiro - dos pontos de controlo e referência de tempo de entre os vários ao longo do percurso. Próximo encontro: Cabo da Boa Esperança, depois da delicada curva que aproximará o Groupama das costas brasileiras, numa rota peculiar inaugurada pelos navegadores portugueses para contornar o anticiclone de Santa Helena e assim aproveitar os melhores ventos para negociar a entrada no Indico Sul.
Aqui pode verificar a comparação entre o percurso feito até ao momento pelo Groupama 3 e o actual detentor do recorde, o catamarã Orange 2 de Bruno Peyron, em 2005. Há quase 500 milhas de diferença entre um e outro à passagem pelo Equador, a favor do primeiro.

28 de janeiro de 2008

Troféu Júlio Verne em disputa

(Julho 2007, Groupama 3, quebra do recorde da travessia do Atlântico Norte)

Época de tentativas de quebra de recordes no Hemisfério Norte. Depois da travessia do Atlântico Norte, Franck Cammas e o seu trimarã Groupama 3 atacam o recorde da volta ao mundo ajudados por uma tripulação constituída pelos melhores e mais experientes marinheiros do planeta. Em disputa está o Troféu Júlio Verne, criado por Yves Le Cornec em 1985. Destinava-se a ser entregue aos tripulantes da primeira embarcação utilizando exclusivamente como meio de propulsão a força do vento ou a força humana que conseguisse realizar a volta ao mundo em tempo inferior a 80 dias. Em 1993 Bruno Peyron arrecadou pela primeira vez o troféu, o qual actualmente está na posse... de Bruno Peyron, com um novo recorde estabelecido em 2005. O tempo de referência de Peyron, a bater, é de 50 dias, 16 horas, 20 minutos e 4 segundos. Cammas e o seu Groupama 3 partiram de Ouessant no passado dia 24 e deverão cruzar a linha de chegada antes de 15 de Março à 1 hora, 9 minutos e 21 segundos (CET).
Esta manhã, já à latitude de Cabo Verde, os velejadores franceses detinham um avanço de 250 milhas sobre o melhor tempo de referência. Todavia, apenas com a entrada no Grande Sul, pela porta do Cabo da Boa Esperança, se verá se a campanha pode ter sucesso. A percepção da meteorologia e o "saltitar" ordenado entre sistemas meteorológicos é fundamental neste tipo de exercício. Para já, a meteorologia parece (e de que maneira!) de feição.