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11 de dezembro de 2010

Adoptado acordo sobre alterações climáticas em Cancun


O acordo concluído hoje inclui a criação de um Fundo Verde, uma ajuda de cem milhões de dólares anuais para os países em desenvolvimento a partir de 2020. A totalidade do acordo discutido na cimeira sobre alterações climáticas em Cancun, que inclui a criação de um Fundo Verde para ajuda aos países em desenvolvimento, foi adoptada este sábado.

«Esta é uma nova era internacional da cooperação em termos de alterações climáticas», afirmou a ministro mexicanos dos Negócios Estrangeiros, Patrícia Espinosa.

Apesar dos aplausos da maior parte dos delegados presentes, a Bolívia discordou deste acordo por este fazer exigir pouco das nações desenvolvidas em termos de cortes nos gases de efeito estufa.

23 de janeiro de 2008

Armazenamento de carbono florestal a Sul

O solo contém mais de 50 por cento do carbono total do ecossistema e quanto mais denso for o coberto arbustivo mais elevado é o teor de carbono. Esta é uma das conclusões do projecto «Agro543 – O sequestro do carbono e gestão florestal sustentável no sul de Portugal», apresentado hoje na Fundação Luso-Americana. «O potencial de sequestro de carbono estende-se ao sul, litoral, e entre a zona de Coruche e Ferreira do Alentejo», especifica Alexandra Correia, do Instituto Superior de Agronomia (ISA), parceira do projecto promovido pela Associação de Produtores Florestais (AFLOPS).

O objectivo desta iniciativa é obter a quantificação do reservatório e da capacidade de sequestro de CO2 em ecossistemas florestais de pinheiro bravo e pinheiro manso, já que «até agora não havia nenhuma informação publicada sobre biomassa e sequestro de carbono nestes ecossistemas», actualizou Pedro Ochôa de Carvalho, do ISA, na abertura do evento.

Com a colaboração dos proprietários florestais foram analisadas 25 parcelas permanentes, das quais 19 de pinheiro manso e 6 de pinheiro bravo, em cinco herdades, nas localidades de Coruche, Pegões, Águas de Moura, Alcácer do Sal e Santa Margarida do Sado. A análise permitiu concluir que os ramos concentram a percentagem maior de biomassa (45 por cento), seguidos do lenho (41 por cento) e raízes (16 por cento). As estimativas de biomassa sustentam-se nos dados do Inventário Florestal Nacional, cuja revisão será brevemente publicada, adianta Alexandra Correia do ISA. Já a medição do teor de carbono implicou a elaboração de equações alométricas, com base em metodologias aceites pelo Intergovernmental Panel On Climate Change e pela Good Practice Guidance for Land Use, Land Use Change and Forestry.

Pelas experiências realizadas nas cinco herdades em estudo, entre 2005 a 2007, concluiu-se que o teor do carbono é mais elevado na base da árvore do que no topo, e existe em maior quantidade em árvores de grande dimensão. «Mas a partir dos 30 anos de vida é a componente da copa que passa a conter mais teor de carbono, mais até que o lenho ou o tronco, isto porque é nessa altura que as copas começam a abrir», elucida Alexandra Correia.

Fonte: Portal Ambiente Online

17 de dezembro de 2007

Conferência Sobre as Alterações Climáticas - Bali 2007 X



[Tão aborvidos andavamos a seguir os trabalhos em Bali que, no Sábado, cruzámo-nos com um jardineiro que comentava para com os seus botões que "o Pai Natal veio abaixo". Obviamente, pensámos o pior, mas não, felizmente não, tudo se resumia a um boneco insuflável posto no centro de um jardim, a quem faltou o fôlego para o Natal.]

Mas voltando a Bali: depois do pessimismo que se instalou na manhã de sexta-feira, dia 14, com a persistente dificuldade em encontrar-se um road map para o período pós-Quioto, a mudança de atitude dos Estados Unidos, ao garantirem que não seriam um obstáculo à definição de objectivos concertados internacionalmente, trouxe uma luz de esperança aos participantes.

Tal certeza ficou cimentada no Sábado, 15 de Dezembro, dia de encerramento dos trabalhos, como se infere da comunicação efectuada por Yvo de Boer, alicerçada nas seguintes conclusões:

- AMBIÇÃO: foram definidos valores de referência para diminuição da emissão de gases de efeito de estufa num futuro próximo com base num estudo do IPCC a que se refere o relatório final (possível com a revisão da posição americana na matéria);
- TRANSPARÊNCIA: O processo está aberto à participação de Governos, empresas, pessoas individuais e colectivas, organizações não-governamentais, a sociedade civil em geral;
- FLEXIBILIDADE: por parte dos países não-desenvolvidos em aceitarem as metas a caminho do futuro;
- Foram confirmadas as importantes decisões tomadas (e já aqui referidas) no que respeita ao mercado do carbono, transferência de tecnologia, financiamento dos países não-desenvolvidos, florestação e reflorestação e armazenamento do carbono;
- O esforço e a boa-vontade de países como a China e a Índia na adaptação do seu processo de desenvolvimento, mais empenhados finalmente em tornarem-se parte da solução, que parte do problema.

- Estão lançadas as bases para um novo acordo, a estabelecer até finais de 2009, para suceder ao protocolo de Quioto, com a inclusão de todos os países, incluindo os Estados Unidos.







Os documentos e conclusões elaborados ao longo da Conferência podem ser descarregados aqui.

10 de dezembro de 2007

Conferência Sobre as Alterações Climáticas - Bali 2007 VII

Recomeçaram hoje em Bali os trabalhos da conferência sobre alterações climáticas. Yvo de Boer, secretário-executivo da UNCCC elaborou o documento que estabelece os objectivos desta semana, os quais de resto coincidem, em larga medida, com o final dos trabalhos da semana passada e a conferência de imprensa de Sábado, aqui reproduzidas. O teor do documento elaborado por de Boer pode ser descarregado aqui em formato pdf.
Paralelamente, à margem da conferência, serão hoje entregues a Al Gore e ao IPCC os seus prémios Nobel, ao mesmo tempo que os Estados Unidos rejeitaram, hoje, a inclusão de alguns resultados do último relatório do IPCC, numa das propostas de acordo que está a ser negociada na conferência de Bali. O relatorio controverso, designado relatório de síntese do AR4, constitui o resultado final da reunião de Valência, que teve lugar há cerca de um mês.
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Resumo dos trabalhos de 10 de Dezembro:
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Entrámos agora numa fase da conferência em que os grupos de discussão preparam o trabalho de fundo a ser desenvolvido pelos Ministros dos diversos países, que começará na próxima quarta-feira. Resulta claro, dos trabalhos de hoje que:
- Existe uma necessidade premente de incrementar os acordos existentes ao nível dos Estados;
- A redução dos valores das emissões de gases de efeito de estufa em 25 a 40% deve ser uma realidade complementada com a necessidade de se assistir a um declínio efectivo das emissões globais dentro de um prazo de 10 a 15 anos;
- Foi reforçada a ideia da mitigação de responsabilidades como caminho para o encontro de soluções para as alterações climáticas, assim como a transferência tecnológica como via de desenvolvimento dos países menos desenvolvidos, de forma a evitar que no seu processo evolutivo tenham de recorrer ao uso de combustíveis fósseis (to leapfrog the carbon intensive stage of economic development) ;
- Estima-se que 86% dos investimentos em tecnologias limpas em 2030 provirão do sector privado, razão pela qual as empresas têm de ser inseridas em todo este processo de imediato, no que constitui uma parceria sem precedentes à escala global.

5 de dezembro de 2007

Conferência Sobre as Alterações Climáticas - Bali 2007 II

A União Europeia anunciou ontem em Bali que está disposta a reduzir em 20%, até 2020, as emissões de gases indutores de efeito de estufa. Este é um passo de gigante para a Terra e um enorme exemplo para os demais Estados desenvolvidos, tendo naturalmente sido objecto de uma enorme ovação junto dos Estados do Sul.
Esta será uma via a seguir pelos países mais desenvolvidos que não sejam membros da UE, como sejam os Estados Unidos, Japão, Áustrália ou a China (em vias de entrar para o lote dos países desenvolvidos).

4 de dezembro de 2007

Conferência Sobre as Alterações Climáticas - Bali 2007

Começou ontem, dia 3, e prolongar-se-á durante duas semanas, em Bali, Indonésia, a Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas ou COP-13, ou CMP 3 ou SB 27 ou AWG 4 (para designar os diversos grupos de trabalho preparatórios). Estarão reunidos representantes de mais de 180 países, assim como membros de Organizações não-Governamentais e jornalistas, para discutir a implementação de medidas pós-Quioto 2012. Os trabalhos poderão ser acompanhados em directo no painel da ONU para as alterações climáticas ou na página do IPCC.

Recorde-se que vários países que subscreveram o tratado em 1998 ainda não o ratificaram ou se predispuseram a colocar em prática as suas medidas, entre os quais, o principal, os Estados Unidos da América. Refira-se que alguns países depositaram o seu instrumento de ratificação do Protocolo de Quioto no dia de abertura dos trabalhos. Destaque para a Áustrlália, a segunda economia em quantidade de emissão de gases de efeito de estufa per capita da Terra. A lista de países-membros do tratado pode ser consultada aqui.


Yvo de Boer, Secretário-Geral da UNCCC, na conferência de imprensa do dia de abertura da cimeira.

12 de novembro de 2007

Especialistas em alterações climáticas reunidos em Valência


Especialistas da ONU reúnem-se hoje em Valência, Espanha, com o propósito de aprovar uma síntese sobre as bases científicas e as medidas necessárias para combater as alterações climáticas. Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, organismo recentemente galardoado com o Nobel da Paz), trata-se do texto com “maior relevância política” elaborado até ao momento. O mesmo foi revisto por 2.500 especialistas e redigido por 450 cientistas de 130 países, tendo sido elaborado ao longo de seis anos. Está dividido em 4 tomos. O documento, que ficará conhecido como AR4 (por ser a quarta reunião do IPPC acerca do assunto), esclarece a realidade do fenómeno e a responsabilidade da acção humana nas alterações climáticas.
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Refira-se no entanto que, embora abordando o assunto de forma frontal, o documento não recorre ao alarmismo como forma de chamar a atenção para a necessidade de mudança de hábitos.
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Fonte: El País, Ed. de 12 de Novembro de 2007